
Bonifácio Antônio Borba nasceu em Fortaleza em 28/11/1895 e faleceu em Porto Alegre, em15/08/1980.
Formou-se em Medicina na Faculdade Nacional do Rio de Janeiro. Em 1918, embarcou para Paris para trabalhar na Missão Médica que o Brasil enviara para cooperar nos hospitais franceses na 1ª Guerra Mundial. Ao retornar ao Brasil, em 1920, prestou concurso para o Exército sendo nomeado 2º Tenente Médico onde fez carreira. Foi para a Reserva em 1951 no posto de General de Divisão. Foi agraciado com as seguintes condecorações: na FEB, Cruz de Combate, Medalha de Campanha, Bronze Star Medal dos USA e Il Valore Militare pelo Governo reconstituído da Itália; no Brasil, Mérito Militar, Medalha da Academia Militar de Medicina e Medalha de Mérito da Cruz Vermelha.
Na vida civil, clinicava na comunidade onde residia aproveitando os exíguos tempos disponíveis. Após passar para a Reserva no Exército, trabalhou no SESI do Rio Grande do Sul onde, em muitos municípios do interior gaúcho, implantou serviços de atendimento médico e odontológico. Foi um dos pioneiros, no estado sulino, na utilização das técnicas modernas de prevenção do câncer ginecológico. Sobre o assunto ministrou cursos para médicos e escreveu, para ampla divulgação popular, os folhetos "O Câncer Ginecológico" e "A Higiene na Gravidez" e que foram distribuídos pelo SESI. Foi agraciado com a Medalha da Academia Brasileira de Medicina. Militar e a Ordem da Cruz Vermelha.
Nos mais de trinta anos em que serviu ao Exército, e em todos os postos da carreira, exerceu diversas funções, ora em organizações hospitalares, ora em Escolas do Serviço de Saúde, bem como em Estados Maiores de Comandos Militares localizados nos Estados do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul. No início da 2ª Guerra Mundial foi transferido para o Rio de Janeiro a fim de se preparar para operações de guerra. Em 1944, no posto de Tenente Coronel, foi nomeado Comandante do recém criado Batalhão de Saúde, unidade operacional da FEB - Força Expedicionária Brasileira. No porto do Rio de Janeiro embarcou com os seus comandados, em um Navio-Transporte da Marinha Norte Americana. No dia 22 de setembro de 1944, o navio onde estava embarcado e outro da mesma classe, suspenderam com destino à Itália transportando o 2º ESCALÃO da FEB, escoltados por navios anti-submarinos das Marinhas do Brasil e dos Estados Unidos. Coincidentemente, em um daqueles navios, o Contratorpedeiro Escolta "CANNON" da Marinha Americana estava embarcado o então 2º Tenente da Marinha do Brasil Carlos Borba, Escoteiro de Terra com Promessa em 1932, primogênito do Tenente - Coronel Bonifácio Antônio Borba. Assim, pode-se afirmar que, na travessia Rio – Gibraltar, um filho participou da proteção do navio onde o seu pai estava embarcado!
No início da década de 30, o então Capitão Médico Borba visitou a sede da FBEM - Federação Brasileira de Escoteiros do Mar e se interessou pelo que lá conheceu. Prontamente, se matriculou no próximo Curso Nacional para Chefes de Mar a ser conduzido naquela Federação. Em 1933, ainda como aluno, o futuro Chefe Borba foi nomeado Secretário da FBEM. Ao final daquele ano assumiu o cargo de Comissário Internacional da UEB. Em novembro de 1933, criou o "Circulo de Pioneiros" a fim de congregá-los sob uma orientação única. Foram realizadas apenas quinze reuniões, mas a idéia estava lançada e um grupo de entusiastas continuou trabalhando pelo Círculo; alguns deles eram componentes do Clã do 10º GEMAR que, aconselhados pelo Comissário Internacional da UEB, traduziram o belo folheto do Dr. Griffin "Rover Quests In Practice"; pediram para que o Chefe Borba fizesse a introdução da obra que recebeu o nome "Temas Práticos para Pioneiros" A autorização para a tradução e edição foi solicitada em 3/03/1934 pelo Presidente do Circulo.e o livro foi editado em 1938.
Em razão de haver constatado que, "No Brasil, de 1935 para cá, o nosso Movimento tem começado a sofrer acusações de internacionalista e até, o que é mais grave, de – comunista –", o Chefe Borba, na qualidade de Comissário Internacional da UEB, nos anos de 1935 e 1936, passou a escrever artigos para a imprensa, (cinco no jornal "A OFENSIVA" e dois no "JORNAL DO BRASIL"). A Diretoria da UEB, por proposta do Sr. Dr. Atílio Vivaqua, resolveu enfeixar numa publicação estes artigos, eis o motivo do seu aparecimento, que tem como único fito desfazer dúvidas com que os mal intencionados procuram prejudicar o Escotismo, impossibilitados, como estão, de combatê-lo à luz do dia ou de impedirem seu magnífico surto. A referida publicação foi editada em 1937 pela UEB com o título "Escotismo e Internacionalismo". O folheto é iniciado com uma "explicação necessária" assinada pelo Dr. Bonifácio A. Borba.
Em 1939, foi editado pela UEB o livro "O Problema da Alimentação Racional e Econômica do Escoteiro" de autoria do POLVO VELHO. A folha de abertura daquela publicação foi nos seguintes termos: Dedico à Federação Brasileira de Escoteiros do Mar, onde me iniciei no Escotismo, 6º Curso de 1933, o meu primeiro trabalho para os ESCOTEIROS. Rio de Janeiro, 21 de maio de 1937. Na Introdução do livro o autor mencionou: no folheto "Temas Práticos para Pioneiros", encontrei o tema VIII, nº1 – ALIMENTAÇÃO HIGIÊNICA :(Referia-se ao item 1 das SUGESTÕES ELUCIDATIVASonde se lê: Preparar leituras e preleções sobre as vantagens para a saúde, da vida ao ar livre, habitação e alimentação mais higiênicas etc., etc.) resolvendo, então, escrever alguma cousa sobre tal sugestão, para meus irmãos Pioneiros, os futuros Chefes).
Ao concluir o Curso de Chefia do Mar, o Chefe Borba substituiu o Chefe Benjamin Sodré no GEMAR do Botafogo F.C.
Como Comissário Internacional, enviou, em 20/12/1933, carta a Lord Baden-Powell , solicitando permissão para traduzir o "Rovering to Success" com o nome "Caminho para o Sucesso". A autorização foi concedida em 23/07/1934. Alguns dos Pioneiros e Escoteiros do Grupo do Botafogo tomaram a iniciativa de fazer a tradução do referido livro e, ao terminá-la, entregaram o trabalho ao seu Chefe negando-lhe terminantemente a permissão para dizer a verdade: - era uma "Boa Ação", diziam eles. Na apresentação do livro, editado em 1939, e com o título EXPLICAÇÃO NECESSÁRIA, o Chefe Borba descreveu esse fato com detalhes. Inexplicavelmente, aquele intróito não mais foi apresentado nas edições seguintes editadas pela UEB.
Em 1939, como Comissário Internacional tomou conhecimento de que ainda não havia sido completada a entrega do Tapir de Prata às nove primeiras personalidades agraciadas em 02/10/1936: - restavam as de número 1 e 2 respectivamente: Robert S. Smith Baden-Powell e Hubert S. Martin (Diretor do Bureau Mundial). A Inglaterra estava em guerra e havia muita dificuldade nas comunicações. Prontamente, em 05/04/1939, através a Embaixada Britânica no Rio de Janeiro, o Chefe Borba enviou carta ao Comissário Internacional do Bureau Mundial juntamente com o Tapir de Prata que, por sua vez, o remeteu para B-P, que residia em Quênia na África. Baden-Powell respondeu diretamente nos seguintes termos: "Caro Dr. Borba, Estou sinceramente agradecido pela bondade demonstrada pelos Irmãos Escoteiros do Brasil e peço fazer chegar à sua Associação o meu profundo agradecimento pela condecoração e meu desejo de um futuro com sucesso. Estou, Dr. Borba, sinceramente agradecido ao Sr".
Em 1934o Chefe Borba foi eleito Vice-Presidente da UEB na chapa do eminente Presidente, Chefe Ignácio de Azevedo Amaral. A situação era crítica e um grupo de abnegados lutava pela sobrevivência e unidade da UEB. Em 1935, continuava o desmoronamento da entidade máxima; o Presidente lutava bravamente para soerguer a Instituição. Ao final de 1935, o Chefe Ignácio Amaral, desgostoso, demitiu-se da presidência da UEB com o apoio e solidariedade do seu vice. Naquela situação difícil o Presidente pediu ao Chefe Borba para permanecer no cargo e tentar algo para salvar a UEB. As dificuldades eram de toda ordem, inclusive financeira e haviam sido agravadas com a abrupta perda de sede da UEB que funcionava nas dependências da FBEM. As reuniões eram poucas e o Chefe Borba se apresentava como Comissário Internacional e não presidia as reuniões por entender que estavam vagas a Presidência e a Vice-Presidência. Ao final de 1936 o Chefe Borba convocou os membros da Diretoria para uma reunião "com a finalidade de regularizar a direção da UEB e fixar, com o que ainda existia de Escotismo Nacional, as eleições". Entendia que, por analogia com as outras instituições, o Comissário - Administrativo deveria assumir a Presidência. Foi criado um impasse em razão de forte discordância de um dos membros presentes com a solução proposta e o Chefe Borba "decidiu dissolver a reunião e assumir, ditatorialmente a direção geral da UEB, cargo que exerci até outubro de 1939 com o apoio de todas as Federações. Em suas anotações feitas em 1952 registrou: Relato tais fatos para explicar, pela primeira vez, porque dirigimos a UEB quase quatro anos, sem eleições. E mais adiante: não titubiei em assumir a responsabilidade; creio eu, talvez, salvei a unidade do Escotismo no Brasil, pelo menos a unidade direcional. Naquele período a UEB passou a funcionar como um Grupo de Trabalho que contava com vários qualificados Chefes. Foi aprovado um novo Estatuto para a UEB que previa três Departamentos Terra, Mar e Ar.
Em 1939, realizou-se o Ajuri Nacional na Quinta da Boa Vista no Rio de Janeiro com 3.000 Escoteiros de todo o Brasil O evento contou com a presença do Presidente da Republica Getúlio Vargas. Com o auxílio do Chefe Bethlem a UEB publicou o seu Regimento Técnico que, há mais de uma década, encontrava-se no original. Foi liquidada a dívida com o Bureau Internacional de Londres que se achava em atraso. Em outubro de 1939 o Chefe Borba foi promovido a Major e o Exército o transferiu para Santa Maria/RS o que o levou a deixar a direção da UEB. Em 1950, residia em Porto Alegre e foi convidado para exercer a função de Comissário Técnico da Região Escoteira do Rio Grande do Sul e, entre outras iniciativas, se empenhou junto às autoridades locais para conseguir um local para sediar a Região; o esforço foi bem sucedido. Com a saída do médico Luiz Alencastro da Presidência da Região do Rio Grande do Sul, o Chefe Borba assumiu o cargo até 1956 quando regressou para o Rio de Janeiro. Em 1958, no Centro da cidade do Rio de Janeiro, no Mosteiro de Santo Antonio e com o apoio dos frades holandeses daquela comunidade religiosa, um deles o Escoteiro Frei Metódio, fundou o Clã Pioneiro Paulo de Tarso. Voltou para Porto Alegre em 1967, onde veio a falecer em 1980.
Autor: Carlos Borba (filho de Bonifácio Borba)