Sarie Marais

Algumas pessoas afirmam que SARIE MARAIS era a canção favorita de B-P. Outros dizem que a preferência do Fundador era pela KUMBAYÁ. Opiniões à parte, não encontrei tal manifestação de B-P em nenhuma obra escoteira. Com relação a canções, o fato que conheço é que B-P incentivava o aprendizado de canções folclóricas nos fogos de [...]

Algumas pessoas afirmam que SARIE MARAIS era a canção favorita de B-P. Outros dizem que a preferência do Fundador era pela KUMBAYÁ. Opiniões à parte, não encontrei tal manifestação de B-P em nenhuma obra escoteira.

Com relação a canções, o fato que conheço é que B-P incentivava o aprendizado de canções folclóricas nos fogos de conselho. Provavelmente, ele cantou e ensinou a Sarie Marais nos fogos de conselho realizados em Brownsea.

A canção Sarie Marais, também conhecida como My Sarie Marais, é uma tradicional música folclórica sulafricana, criada durante a Guerra dos Bôeres (não se sabe ao certo se durante a primeira, por volta de 1880, ou a segunda, por volta de 1900, da qual B-P participou), ou mesmo criada em uma e alterada na outra. A música foi apropriada da canção Ellie Rhee, que data da época da Guerra Civil Norteamericana e a letra foi traduzida para o africânder (língua falada pelos bôeres).

Em português, o título pronuncia-se da seguinte forma: Mai Sari Marê.

A letra da canção, em língua inglesa, começa assim: “Minha Sari Marais está longe do meu coração, mas eu espero vê-la novamente. Ela morava perto do rio Mooi antes da guerra começar…” e o côro diz “Oh leve-me de volta ao velho Transvaal, onde vive minha Sarie, entre os campos de milho, próximo do espinheiro verde, lá vive minha Sarie Marais”. A música continua falando da remoção forçada dos bôeres (homens, mulheres e crianças) para os campos de concentração ingleses (sim! Foram os ingleses que inventaram os campos de concentração…).

A canção foi adotada, em 1953, como a marcha oficial dos Fuzileiros Reais do Reino Unido e é tocada após a marcha regimental em ocasiões cerimoniais.

A Legião Estrangeira francesa também toca esta música, numa versão francesa. É claro.

Podemos notar que, em nossa língua, a letra da canção foi alterada. Até mesmo o sexo de Sarie Marais foi trocado. Ela era uma mulher, e, em nossa língua, virou “velho amigo do passado”, ou seja, homem…

Sara Johanna Adriana Maré, a musa da canção, nasceu em Uitenhage, na Província do Cabo (Cape Province) em 10 de maio de 1840. Ela casou-se com Louis Jacobus Nel em 1857, em  Pietermaritzburg. Maré faleceu aos 37 anos de idade, após dar a luz ao seu décimo-primeiro filho, e foi enterrada nas proximidades da sua casa, na fazenda Welgegund, perto de Stanger.

A letra que aprendi em meu curso da IM dizia:

Oh Sarie Marais
Velho amigo do passado,
Em mim tua lembrança vive,
Meu amor é mais forte que o vento e que a luz
Que podem deixar de existir…

Essa letra é bastante similar a de uma das versões francesas da canção, que diz:

O Sarie Mares, belle amie d’autrefois
En moi tu demeures vive.
L’amour est plus fort que la vie et que le vent
Qui peut arrêter son élan [tourment]…

Seja qual for a versão escolhida, a canção é bela. Ela fala de amor a alguém e ao lugar em que se vive. Precisa mais?

 

Autor: Antonio Boulanger U. Ribeiro

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